Por Raphael Minho
Twitter: @RaphaelMinho

 

Nascida em Rio Branco, capital do Acre, Marina Silva possui 60 anos e é licenciada em História pela Universidade Federal do Acre. Conhecida pelo seu ativismo em defesa do meio ambiente, Marina iniciou a sua vida política em 1984 como vice-coordenadora da Central Única dos Trabalhadores (CUT) e no ano seguinte, se filiou ao PT. Três anos depois, ela foi eleita a vereadora mais votada da sua cidade natal.

Marina também foi eleita como deputada estadual no Acre, em 1991, e ainda foi ministra do Meio Ambiente no governo Lula, no período de 2003 à 2008. A acreana rompeu com o Partido dos Trabalhadores em 2009 e se filiou ao PV e no ano seguinte, lançou candidatura à presidência da República, alcançando a terceira colocação no primeiro turno, com mais de 19 milhões dos votos (19,33% da porcentagem total).  Voltou a ser candidata em 2014, dessa vez pelo PSB, ficando novamente em terceiro lugar com mais de 22 milhões de votos. Atualmente é presidenciável pela Rede Sustentabilidade, partido em que é presidente.

O que Marina Silva pensa sobre o aborto?

Quando o assunto é aborto, Marina deixa o seu eleitorado um pouco confuso. Isso porque, ao mesmo tempo em que ela diz ser contrária a prática, a presidenciável dá sinais de que enquanto presidente, poderia vir a legalizar o aborto no Brasil. Para ela, a mulher que pratica o aborto, não deveria ser criminalizada.

“Sou contra o aborto por uma convicção filosófica e de fé, e a mulher que o pratica com certeza sofre marcas no corpo e na alma. Não é algo que devemos desejar para ninguém, mas, infelizmente, o que temos é uma prática feita com prejuízos para a vida da mulher. Desde 2010, defendo que se faça um debate sobre essa questão. […]  é preciso haver um debate mesmo, não uma satanização de ambos os lados. Sou contra o aborto, mas não advogo que uma mulher que pratique aborto deva ser presa. Pelo contrário. Deve ser acolhida porque já está vivendo as dores e as marcas de um recurso extremo. Devemos ter um debate no âmbito da saúde pública”, afirmou em entrevista à revista Marie Claire, em março deste ano.


O que Marina pensa sobre religião?

Criada em uma família católica, Marina Silva contou em entrevista à revista Marie Claire, em março deste ano, que aos 19 anos cogitou a possibilidade em ser freira, mas durante o período, conheceu a Teologia da Libertação [teoria condenada oficialmente pelo papa Bento XVI], o que a fez se distanciar dos votos religiosos. Evangélica há 20 anos, Marina tenta se esquivar do rótulo de “conservadora” e admitiu já ter questionado a própria fé no passado.

“Quando entrei em contato com o marxismo-leninismo na universidade, sim, problematizei minha fé. Olhando para tudo aquilo, agradeço profundamente a Deus porque mesmo as obras que não têm cunho religioso acabaram fortalecendo minha fé. Depois desse “encontro de contas” com o marxismo-leninismo e com a psicanálise, que é de uma influência muito grande, saí dos dogmas, das caixinhas fechadas, da dualidade opositiva para olhar melhor para a complexidade e verificar paradoxos.”

O que Marina pensa sobre as drogas?

Assim como o aborto, a legalização das drogas é outro assunto que Marina parece tentar se esquivar. À medida em que ela diz ser contrária a legalização, ela propõe um plebiscito e deixa a entender, que se aprovado no Congresso, poderia autorizar a descriminalização das drogas no Brasil.

“Não sou favorável [à legalização da maconha]. Pessoas sérias são favoráveis porque acham que ajudaria a combater o tráfico de drogas. Mas, como não é uma decisão do Executivo, mas do Congresso, proponho um plebiscito para a sociedade decidir”, afirmou em entrevista ao G1, em 2010.

O que Marina pensa sobre a união civil igualitária entre homossexuais?

Nas eleições de 2014, quando precisou assumir o lugar de Eduardo Campos na disputa presidencial pelo PSB, um erro na divulgação do seu plano de governo causou polêmicas para Marina, que precisou se explicar várias vezes. A parte do programa de governo que tratava sobre a garantia de direitos LGBT’s, em especial sobre a união civil entre pessoas do mesmo sexo, foi modificada e houve uma especulação na época de que a alteração foi provocada por influência do pastor Silas Malafaia.

Em uma entrevista coletiva concedida em São Paulo, ela reiterou que era a favor dos direitos civis de todas as pessoas. “Eu sou a favor dos direitos civis de todas as pessoas e a união civil entre pessoas do mesmo sexo já está assegurada na Justiça por uma decisão do Supremo. […] A união civil assegura todos os direitos para os casais que têm a união no mesmo sexo. O casamento é estabelecido entre pessoas de sexo diferente. É isso que está assegurado na Constituição, na legislação brasileira, mas os direitos são iguais”, disse Marina, na ocasião.