Bule Bule, 70 anos de vida e 50 de carreira como cordelista, repentista, sambador, tiraneiro e pai de 11 filhos,  lamentou mais uma vez a remoção da Banca do Cordel da frente do Mercado Modelo. Instalada ali havia mais de 30 anos, a banca foi retirada pela Prefeitura de Salvador em 2013.  Ele participou de uma entrevista no rádio nessa quarta-feira (6).

“Aquilo ali nós não podemos nem chamar de falta. Aquilo ali foi um empobrecimento. Não só cultural, como financeiro, porque muitas famílias se sustentavam dali. Muitos cantadores desciam dos seus sertões, alguns que já estavam sem produzir mais no seu roçado, mas continuavam a produzir com sua viola e ali era o seu ponto de apoio. E hoje nós não temos”, lamentou Bule Bule.

O cordelista, que recentemente lançou o livro “Orixás em Cordel”, disse ainda que: “Aquele é um espaço conquistado com uma luta enorme… e eu espero que agora não tenha necessidade da mesma luta e que amistosamente, amigavelmente, a gente tenha de volta o nosso espaço para o fortalecimento da cultura regional, para o engradecimento do turismo, que tudo isso pode se somar ao agrado que se faz, de graça, cantar o dia todo, todo dia, de domingo a domingo naquela praça e garantir com mais beleza e doçura a visita de quem nos vem ver e nos leva na memória”.

Bule Bule, no entanto, fez questão de pensar com otimismo. “Mas temos uma vasta esperança porque hoje mesmo eu recebi a notícia de que começaram as restaurações da Praça da Inglaterra e em seguida será a do Mercado Modelo”, diz.

Resta saber se a reforma contemplará o retorno da banca dos cordelistas ou a insensibilidade vigente. Informações de Metro1