Por Raphael Minho
Twitter: @RaphaelMinho

 

Por mais óbvio que seja, os dirigentes do PT seguem com a ideia fixa de lançar a candidatura de um presidiário à Presidência da República. É claro que Gleisi Hoffmann e companhia não são bobos e sabem que mais cedo ou mais tarde, terão que escolher um nome para substituir Lula na corrida eleitoral. Para os mandachuvas do Partido dos Trabalhadores, os votos do ex-presidente vão ser transferidos integralmente num passe de mágica, na hora que eles quiserem.

Enquanto isso, o pré-candidato ao Governo do Ceará (mais lúcido) diz em entrevista à Folha de S. Paulo aquilo que para todos é muito óbvio: “O desejo, a vontade nossa, e da grande maioria do povo brasileiro, é o Lula presidente. Desejar é uma coisa, a realidade é outra. A realidade, e estou convicto disso, é que não acredito que vão deixar o Lula ser candidato. E nós vamos estender isso até quando? Vamos prorrogar isso até quando? A partir do momento que isso acontecer, acaba o PT, talvez, ficando isolado. Essa é minha preocupação.”

No entanto, o PT segue o seu projeto de negar a realidade e está muito longe daquilo que seria uma verdadeira “mão na luva”: a chapa Ciro-Haddad. É verdade que a figura de Ciro não é carismática como a de Lula, mas ambos possuem um projeto político extremamente parecido e o pedetista tem uma imagem forte e consolidada no nordeste, além de já ter sido ministro no governo do petista. Só tem um probleminha: Ciro não se sente na obrigação endossar o discurso petista de negar a realidade e sendo assim, Gleisi, vulgo narizinho, está longe de concordar com uma coligação e prefere o isolamento político.

E assim, novamente Camilo tenta oxigenar a lucidez do PT, que parece estar em coma. “Há quase dois anos defendia que Haddad fosse vice do Ciro ou vice-versa. Só acho que Ciro é uma pessoa preparada, que defende princípios e políticas de esquerda desse País. É inteligente, pensa o País e se credenciou para se colocar como uma das opções (…). Não sendo Lula, defendo que o nome seja o do Ciro e que o PT indique o vice já no primeiro turno, para que a gente possa construir e ter tempo para pavimentar, para consolidar uma candidatura forte nessas eleições de 2018.”