Um governo fraco tutelado pelos militares. E assim Michel Temer segue aprofundando o País na maior crise política e econômica desde o processo de redemocratização e a instalação da Nova República. Após subestimar o movimento nacional dos caminhoneiros e donos de empresas de transporte [que entra no quinto dia consecutivo e instala o caos em todo o território nacional, ao provocar o desabastecimento em vários setores], o Governo Federal publicou em edição extra do Diário Oficial da União (DOU) o decreto que autoriza o uso das Forças Armadas para desobstruir as estradas. [Veja aqui]

A chamada GLO (Garantia da Lei e da Ordem) passa a valer nesta nesta-feira (25) e se estende até o dia 4 de junho e dá poder aos militares para agir em rodovias federais, estaduais, municipais ou distritais.  As Forças Armadas poderão remover ou conduzir veículos que estejam obstruindo via pública, escoltar veículos que estejam prestando serviços essenciais ou que estejam transportando produtos essenciais.

Além do Decreto de Temer, o DOU traz uma portaria do Ministério de Segurança Pública que autoriza o uso da Força Nacional nas ruas.  As medidas foram anunciadas no início da tarde por Temer, em pronunciamento feito à nação.

Guardadas as devidas proporções, a medida extrema de Temer contra os caminhoneiros [que, a bem da verdade, radicalizaram o movimento mesmo após um acordo assinado pelo Governo com a categoria] traz à tona a lembrança dos Atos Institucionais da Ditadura Militar, em especial o AI-5, o mais duro de todos os atos do regime, que deu poder de exceção aos governantes para punir os que fossem considerados inimigos.

Página 01 do AI-5 – Museu Nacional

Emitido pelo presidente Artur da Costa e Silva, em 13 de dezembro de 1968, a pretexto de resguardar a “segurança nacional”,  o AI-5 permitia a intervenção em estados e municípios, decretava a ilegalidade das reuniões políticas e impunha o toque de recolher em todo o país.

Sob Temer, o Brasil não volta apenas 20 anos em dois. Parece voltar 40.