Por Raphael Minho
Twitter: @RaphaelMinho

 

Não é nenhuma novidade (ou pelo menos não deveria ser) que os dirigentes do Partido dos Trabalhadores reconhecem a necessidade de voltar as suas origens, principalmente no seu modelo de organização política. Com isso, os discursos de membros como a senadora Gleisi Hoffmann de “desobediência civil” é apenas reflexo de que o PT está deixando a centro-esquerda e entrando no caminho de uma esquerda mais radical e assim, volta a andar de mãos dadas com a turma do Psol.

E quando falamos de organização política, não estamos falando apenas de parlamentares indo em cidades pequenas com um banquinho e megafone, o que para muitos, tem sido uma ideia delirante. Se olharmos atentamente os passos do PT, enxergamos uma reorganização de base que conta com movimentos sociais, sindicais e estudantis, além das Comunidades Eclesiais de Base (CEB’s).

Em janeiro desse ano, teólogos da libertação (teoria considerada heresia pelo Papa João Paulo II) resolveram se encontrar no 14º Intereclesial das CEB’s, em Londrina, norte do Paraná. Um encontro que parecia ter apenas o propósito de evangelização que ainda tinha a presença de membros da Conferência Nacional de Bispos do Brasil (CNBB) e do frei Betto (assessor e um dos braços direito do ex-presidente Lula), se tornou um verdadeiro comício, com direito a cartazes pró Lula e contra Temer, espalhados por todo o ginásio poliesportivo da cidade. Inclusive, o evento gerou uma série polêmicas dentro da comunidade mais conservadora da Igreja Católica e o assunto foi parar até nas mãos do Papa Francisco, no Vaticano.

Faixa encontra durante o 14º Intereclesial da CEB’s. (Foto: Bernardo Küster/Reprodução)

O PT procura trilhar exatamente o caminho que levou Lula a vencer as eleições, em 2002. Discurso mais radical, toque de chamada da militância nas mais diversas esferas e a tentativa de coalizão com a esquerda, como vimos nos últimos discursos de Lula defendendo as candidaturas de Maunela D’Ávila (PCdoB) e Guilherme Boulos (Psol), que segundo o próprio ex-presidente, é interessante para a esquerda a pulverização das candidaturas no primeiro turno das eleições.

E enquanto alguns analistas fecham os olhos para isso e dão pouca ou nenhuma importância para esses passos, o acampamento pró Lula que já dura um mês, em frente a sede da Polícia Federal, em Curitiba e a vigília em São Bernardo, em São Paulo, antes do petista se entregar a PF, são sinais de que o PT vem alcançando resultados importantes, frente ao desgaste da imagem do partido com a Operação Lava Jato.