O juiz federal Sérgio Moro, responsável pelos processos da Lava Jato na primeira instância, se enrolou todo ao negar a suspeição movida pela defesa do ex-presidente Lula (PT)após ter posado para imagem ao lado do ex-prefeito de São Paulo, João Doria (PSDB).

Moro usou fotos do petista ao lado do ex-ministro da Secretaria de Governo, Geddel Vieira Lima (MDB), e do senador Aécio Neves (PSDB), justificar suas aparições ao lado de tucanos em eventos públicos dentro e fora do país.

O magistrado deu palestra em Nova York promovida pelo Grupo Lide, empresa fundada por João Doria. O fato motivou a defesa do ex-presidente a pedir que o magistrado fosse afastado de casos relacionados ao petista.

Ao decidir que não é suspeito para julgar Lula, Moro afirmou que Doria “não figura na diretoria da Câmara de Comércio ou no quadro executivo”. Ressaltou, ainda, que “uma fotografia em evento social ou público nada significa além de que as pessoas ali presentes tiraram uma fotografia”, informou o jornal Estado de S. Paulo.

Moro esqueceu-se, apenas, que o ex-presidente é um político e ele um juiz, e que no exercício da sua função deve obedecer ao Código de Ética da Magistratura que, entre outros, estebelece que a conduta do magistrado deve se adequar ao Código que impõe, por exemplo, o dever de “comportamento diferenciado dos demais cidadãos” (art. 16) e de reserva na vida pública e privada (art. 27).