Por Raphael Minho
Twitter: @RaphaelMinho

 

Inocência de quem acredita que a paralisação dos caminhoneiros conseguiu unir a esquerda e a direita do país, porque tem a aprovação da maioria dos brasileiros. Ambos os lados buscam se aproveitar da popularidade da greve para abocanhar espaço e votos. Embora os caminhoneiros estejam lutando para divulgar que a manifestação deles é apartidária e sem apoio de qualquer sindicato, líderes da CUT e militantes do PT já foram expulsos de acampamentos, numa tentativa de se apropriar das pautas e endossar o grito “fora Temer” e “golpe”.

No entanto, os caminhoneiros não são apenas “fora Temer. Eles também são “fora Lula”, “fora Dilma”, “fora PT”, “fora PSDB”, “fora todos eles”.  Enquanto isso, um fato curioso chama a atenção: em alguns pontos do protesto no Brasil, como em Canoas/RS e Barreiras/BA, os manifestantes pedem intervenção militar, como é registrado pela youtuber gaúcha Paula Marisa.

Do outro lado, a direita aproveita a greve para reforçar as pautas de redução de impostos, livre mercado e privatização das estatais como a Petrobras. Ou seja, não há uma união. Só é possível haver uma união, quando os interesses são os mesmos de todas as partes envolvidas, e esse não é o caso. Inclusive, a esquerda está muito distante do que realmente interessa aos caminhoneiros, que é a redução de impostos nos combustíveis, que só pode acontecer efetivamente com uma redução do Estado na economia.

 

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