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A histeria coletiva que tomou conta do País [principalmente, após o impeachment que depôs a presidente Dilma em 2016] tem revelado absurdos que há muito estavam adormecidos na sociedade brasileira. Exemplo disso, têm sido as manifestações dos chamados “intervencionistas”, grupos que defendem abertamente a volta dos militares ao comando do Executivo.

Em qualquer nação civilizada e democrática do mundo moderno, essas pessoas seriam, no mínimo, interpeladas judicialmente, quando não presas e condenadas por atos de conspiração. Mas, estamos no Brasil e aqui, embaladas pela ignorância e o desprezo pela história recente do País, elas acham um campo vasto – principalmente nesta “terra de ninguém” que é a internet – para propagar este absurdo que é trocar uma democracia [por mais frágil e recente como a brasileira] por um regime ditatorial.

E ainda encontram guarida em setores da política e da imprensa nacionais. Candidatos que defendem claramente o “legado” da Ditadura Militar [prática da tortura e crimes políticos] têm amplo espaço no noticiário e são içados à condição de “mitos”. Seus séquitos mais parecem zumbis ávidos por sangue, ansiosos pela volta do país aos tempos sombrios.

ANOS DE CHUMBO, 1964 Marechal Castelo Branco passando a tropa em revista

“São as vivandeiras alvoroçadas que vêm aos bivaques bulir com os granadeiros e causar extravagâncias ao poder militar”, como bem disse o Marechal Castelo Branco, em 1964. Uma frase empolada, mas que define bem os golpistas que estão sempre à espreita para conturbar a ordem democrática.

Em Salvador, nesta segunda-feira (28), um punhado de “manifestantes” pediam intervenção militar embalados pelo caráter reacionário de boa parte da paralisação nacional dos caminhoneiros. A “moqueca” protestou na Sete Portas e em frente ao Shopping da Bahia, e partiu em caminhada para a Rótula do Abacaxi. Podia se contar menos de vinte pessoas, um pouco mais ou um pouco menos, mas, insignificantes do ponto de vista da expressividade da manifestação.

Mesmo assim, a manada de fantoches vestidos com camisas da seleção brasileira e outros acessórios nas cores verde e amarela, congestionaram o trânsito na avenida ACM e mereceram destaque na edição eletrônica do jornal A Tarde. Os critérios editoriais utilizados pelo centenário diário baiano, outrora respeitado nacionalmente, para definir sua pauta, certamente, não levaram em conta os valores mais fundamentais da democracia com os quais a imprensa séria deve estar comprometida.

Liberdade, ainda que à tarde. Nem mais, nem menos.

E já que o saudosismo está na moda, é preferível ter saudades da Dilma [com todo o desastre que caracterizou o seu governo] do que dos militares e seus crimes [prisão, tortura, desterro, estupro, aborto e morte] que mancharam com sangue a memória brasileira. (JB)

 

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