No início da semana, o governador Rui Costa (PT) confirmou o deputado Angelo Coronel (PSD) na chapa majoritária como candidato ao Senado. Surpresa para alguns, certeza para outros, Coronel tem por trás dele aquele que é apontado por líderes da base governista como o mais poderoso político do estado, mais até do que Rui. Trata-se do senador Otto Alencar, presidente estadual do PSD.

Coronel foi bancado por Otto que, nos bastidores, comandou forte articulação pela indicação do deputado estadual para a chapa majoritária. Não se pode negar o mérito do próprio Coronel, que se mostrou um político habilidoso durante sua eleição para a presidência da Assembleia, desbancando Marcelo Nilo (PSB) após dez anos.

Otto, contudo, construiu as diretrizes para mais uma vitória do partido sobre os aliados. Os argumentos do senador são fortes e convenceram até o ex-governador Jaques Wagner (PT), que afirmou em entrevista ao Estadão: “são o maior partido da base e vão ficar de fora?”.

O arsenal de Otto ganhou corpo logo em 2014, quando foi eleito senador e conseguiu boa bancada na Assembleia e Câmara. No legislativo estadual, foram sete deputados eleitos, enquanto no federal foram quatro. Ao longo do caminho, as bancadas cresceram com o ingresso de novos parlamentares. Chegou a nove na Assembleia (a terceira maior bancada) e a cinco na Câmara.

Em 2016, veio a cereja do bolo, que deixou encantado até o presidente nacional da sigla, o ministro Gilberto Kassab, que ensaiava uma retaliação a Otto por ele votar a favor da ex-presidente Dilma Rousseff (PT). O partido elegeu cerca de 90 prefeitos na Bahia – cerca de 21% do total de gestores eleitos no estado.

Com o poder em mãos, Otto partiu para cima e elegeu o presidente da União dos Municípios da Bahia, Eures Ribeiro, prefeito de Bom Jesus da Lapa. Logo em seguida, elegeu Coronel presidente da Assembleia. Com forte influência também no Tribunal de Contas dos Municípios (TCM), Otto comanda, ainda, duas das principais secretarias do governo estadual – de Infraestrutura e Desenvolvimento Urbano.

Agora, indica uma das vagas ao Senado na chapa majoritária. Entre seus aliados, especialmente o PSB, há uma queixa de que o partido terá direito a duas vagas no Senado. Reclamam que isso nunca aconteceu na Bahia. A avaliação de muitos líderes é que a escolha por Coronel foi feita “goela abaixo” devido ao poderio do PSD.

Os demais aliados, embora insatisfeitos, preferiram se calar para evitar desgastes com o homem forte do governo. Somente o PSB, da honrosa senadora Lídice da Mata, bradou. Lídice foi preterida por Rui e não se calou. O grito ecoou, chegou a Brasília e ao resto do Brasil, mas não deu resultado. Otto, com o seu arsenal, venceu mais uma batalha interna.