A execução da vereadora Marielle, do PSOL do Rio, e do motorista, Anderson, escancara uma dura é triste realidade do Brasil: as pequenas e grandes máfias que não toleram quem as perturbe. Esse crime que chocou o país, que mostrou a fragilidade do estado na proteção dos seus cidadãos, nos revela que só a presença do Exército nas ruas da capital carioca não será suficiente para acabar com a violência. Pois esta não está apenas nos assaltos e no tráfico. A violência, infelizmente, está encrustada no poder, arraigada nas instituições que deveriam combatê-la. Marielle era uma voz que se erguia contra as injustiças, os preconceitos, contra a violência desmedida, da qual, por ironia do destino, acabou sendo vítima. Quantas vozes insurgentes, quantas pessoas do povo, quantas Marielles ainda morrerão até que entendamos que dar educação, saúde e dignidade as pessoas são ações fundamentais para que tenhamos também segurança? Marielle e Anderson se foram. O Brasil estarrecido lamenta as perdas. Mas, e agora? Quanto ainda precisa acontecer e quantas mais morrerão para que, enfim, se tome soluções definitivas? Quantas mais?