Redação G8 News
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Entrevistado na última segunda-feira (28), no programa Roda Viva, da TV Cultura, o pré-candidato à presidência da República, Ciro Gomes (PDT), citou números errados sobre o déficit da Previdência Social e orçamento. O programa televisivo está realizando uma série de entrevistas com todos os pré-candidatos. A checagem dos dados foi realizada pelo portal Uol.

PREVIDÊNCIA

“O déficit da Previdência é real. Só que ele não é de R$ 180 bilhões, ele foi R$ 25 [bilhões], R$ 30 bilhões”, afirmou Ciro Gomes durante a entrevista.

FALSO: Nesse assunto, o pré-candidato do PDT tem sido bastante inconsistente.  Só nesse mês de maio, essa é a terceira declaração diferente. Há duas semanas, em entrevista ao jornal Zero, de Porto Alegre, o pedetista disse que “neste ano o buraco foi de R$ 180 bilhões”. Uma semana depois, durante a sabatina realizada pela Folha de S. Paulo, SBT e Uol, Ciro conta que “é perfeitamente possível afirmar que o regime geral da Previdência não tem déficit”.

De acordo com a Receita Federal, o déficit do Regime Geral de Previdência Social atingiu R$ 182,5 bilhões em 2017, como resultado de R$ 374,8 bilhões de arrecadação e R$ 557,2 bilhões de despesas. Não foi encontrado nenhum dado oficial ou de instituições de pesquisa que divulgassem o valor de R$ 30 bilhões de déficit afirmado por Ciro Gomes.

 

ORÇAMENTO

“Metade do Orçamento brasileiro, de tudo o que se arrecada de imposto, é despesa financeira, juro e rolagem de dívida”, afirma Ciro Gomes durante entrevista.

FALSO: Segundo o balanço do Orçamento do Tesouro Nacional, as despesas orçamentárias somaram R$ 2,483 trilhões de janeiro a dezembro de 2017. Desse total, 60% (R$ 1,496 trilhão) são despesas primárias que incluem Previdência, salários de servidores, gastos para a manutenção de prédios públicos, investimentos, entre outros. O restante, 40% (R$ 986,1 bilhões), são despesas financeiras, que incluem juros e amortização da dívida.

Além do equívoco sobre a proporção, o pedetista também erra sobre a fonte para pagamento das despesas financeiras. Ciro parece desconhecer que uma parte da dívida é paga com a emissão de títulos de dívidas públicas que possuem prazos mais longos de vencimento, a chamada rolagem da dívida. De acordo com os dados do Tesouro, as despesas com amortizações da dívida por refinanciamento foram de R$ 462,6 bilhões, em 2017.

Uma outra parte das despesas com juros e encargos da dívida – que somaram R$ 203,1 bilhões – e as com amortizações da dívida sem refinanciamento (que permite a redução do montante principal da dívida), que correspondeu a R$ 320,4 bilhões, também podem ser pagas com as receitas financeiras como os rendimentos de aplicações financeiras, recebimentos de empréstimos concedidos pela União, dividendos de empresas estatais ou resultado positivo do Banco Central (que é obrigatoriamente usado para pagar o endividamento público). Ou seja, Ciro está completamente errado sobre o uso dos impostos e o pagamento de juros e amortização da dívida pública.